O Merval laranjal Pereira (laranja de qualquer candidatura que o ajude a escorraçar o PT do poder) é um sujeito que exige cuidado, drena qualquer estoque de adjetivos pouco enobrecedores. Neste ponto, a culpa não é nossa se ele não tem nenhum auto controle em sua obsessão antipetista. Ser antipetista não é problema: ninguém é obrigado a ser nem anti nem a favor, muito antes pelo contrário.
O problema está em como ele não tem medo de sacrificar a lógica, a coerência e a factualidade. Vejamos um trecho da coluna de ontem n'O Globo:
"Não importa se esse “tesouro” debaixo da terra, que seria nossa redenção, um “bilhete premiado” na definição do ex-presidente Lula, já não represente tanto assim diante da exploração do xisto betuminoso pelos Estados Unidos, que já mudou a perspectiva do setor energético no mundo.
O mito de que a maior potência mundial espiona nossa presidente e nossas riquezas rende bons dividendos políticos, e o governo brasileiro está se aproveitando bem das circunstâncias, do ponto de vista de seus interesses eleitorais imediatos."
Ao contrário de uma de suas fontes, o laranjal não teme o ridículo. Tudo bem, o que é ridículo na boca de um canalha jurídico deve ser, provavelmente, elogiável (canalhice jurídica é, por exemplo, julgar-se no direito de paralisar a tramitação[!] de um projeto de lei).
Mas, voltando ao laranjal: em dois parágrafos ele ofende a inteligência do leitor e renega algo que foi revelado pela emissora onde ele dá expediente.
Ofende a inteligência, porque quer que a "questão energética" já está resolvida para o futuro, com o tal xisto betuminoso. Como se as controvérsias em torno de um dos métodos de extração, o tal fracking, não estivesse vivíssima. Ou como se o governo norte-americano já tivesse deixado de pisar em ovos quando o assunto é Oriente Médio.
E renega um fato revelado pela Globo e já reconhecido pelo Obama, Este, dispôs-se até mesmo a tentar uma explicação.
Mas, não. Ao tino afiado do super-laranjal nada escapa. Não. A Globo denunciou, o Obama reconheceu, mas ao Merval, ninguém engana! Para ele, repito, é "mito [...] que a maior potência mundial espiona nossa presidente". Um mito alimentado desde o Palácio do Planalto apenas porque "rende bons dividendos políticos". Continua mito porque toda a imprensa mundial, em lugar de denunciar a mitificação providenciada pela Presidenta, acolheu de bom grado a manipulação palaciana dos fatos.
Nessa toada, falta pouco para que ele insinue que, na verdade, denuncie, que há dezenas de espiões do governo, da Abin, talvez, infiltrados nas redações das Organizações Globo a fim de disseminar essas fantasias míticas (quem sabe, se ele pedir auxílio ao Gilmar, o abracadabrista jurídico invente alguma coisa do gênero). Duvida de mim? Leia a coluna.
Convenhamos: isso sinaliza ou decrepitude ou um caráter habitando o baixo ventre. Como essa gente é muito esperta, duvido da versão do esgarçamento mental.
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