As pesquisas na área das biotecnologias têm crescido muito rapidamente; em geral, são pesquisas caras e que demandam continuamente muitos recursos humanos e financeiros. Esse processo de mobilização de recursos é majoritariamente político e parte desta estratégia política tem um lado fortemente midiático. a cautela que muitas vezes caracterizou todas as promessas vinculadas a programas de pesquisa é hoje, em algumas áreas, uma vaga lembrança. Parece haver uma certa competição – em detrimento da colaboração – para ver quem pode colocar produtos no mercado mais rapidamente.
Inúmeros grupos de observadores das tecnociências têm feito alertas sobre a necessidade de um comportamento mais cuidadoso, sobre a necessidade de realização de mais debates mais públicos e menos espetaculares sobre as implicações das biotecnologias.
Há algumas semanas, esse processo alucinado fez uma nova vítima, desta vez uma paciente (como se viu acima, a cautela, a humildade e a paciência já foram devidamente esquecidas no campo das biotecnologias). Jolee Mohr, uma americana de 36 anos, submetia-se a uma terapia genética para tratar um tipo de artrite. Ainda não se sabe se a causa de sua morte teria sido mesmo a terapia genética; mas seu marido declarou que seu estado de saúde começou a piorar logo após uma sessão de tratamento, em que foi inoculada por vírus geneticamente modificados.
O que a denúncia do Center for Genetics and Society faz questão de ressaltar é que a paciente não apresentava um quadro grave ou risco iminente de morte que justificasse o emprego de medicamentos e terapias para as quais os riscos ainda não estavam bem delimitados.
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