quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O curioso fenômeno da direitização do militante de esquerda

Não sei se posso chamar a isso uma tendência, talvez uma perversão, tupiniquim. Sei lá. Mas o fato é que os novos movimentos sociais no Brasil têm gerado um espécie estranha de militante político-partidário. Enquanto na Europa, até nos EUA, com o Occupy etc., os novos movimentos dão prosseguimento às tradições da esquerda atualizando as pautas, mostrando os novos contextos em que o combate ao neoliberalismo precisa ser feito, aqui no Brasil, quase ao contrário, há uma enorme quantidade de militantes desses mesmos movimentos que se sente atraída pelo que de mais retrógrado e atrasado há na política nacional.

Transformaram o PT e tudo de verdadeiramente revolucionário foi construído no país nos últimos doze anos em uma espécie de geni da política. É tanto mais surpreedente porque seria compreensível se essa recusa ao petismo fosse em proveito de algo mais radicalmente progressista e até buscasse aproximação com a extrema esquerda (com todas as ambiguidades e contradições que ela sempre teve). No entanto, não. São atraídos para o pólo reacionário do espectro político. As heloísashelenas da vida fecham acordo com o PSDB pelo mero prazer ressentido da vingança contra o PT. O marinismo - que é, sim, um terceiro projeto, na medida em que reencarna a soma do neoliberalismo com o personalismo na política - abraça o neoliberalismo por um lado, e o obscurantismo religioso, por outro. Aí, muitos militantes dos novos movimentos aderem a uma ou outra coisa desse matiz.

Qual o sentido de abandonar conquistas progressistas, certamente conquistas tímidas em alguns campos, questionáveis em outros, mas ainda assim conquistas como nunca antes havia sido possível sequer imaginar?

Politicamente, pensei que eu iria me sentir velho ficando mais velho; me pego, surpreso, sentindo-me mais novo observando os mais novos agindo como velhos...

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