Não sei se posso chamar a isso uma tendência, talvez uma perversão,
tupiniquim. Sei lá. Mas o fato é que os novos movimentos sociais no
Brasil têm gerado um espécie estranha de
militante político-partidário. Enquanto na Europa, até nos EUA,
com o Occupy etc., os novos movimentos dão prosseguimento às tradições
da esquerda atualizando as pautas, mostrando os novos contextos em que o
combate ao neoliberalismo precisa ser feito, aqui no Brasil, quase ao
contrário, há uma enorme quantidade de militantes desses mesmos
movimentos que se sente atraída pelo que de mais retrógrado e atrasado
há na política nacional.
Transformaram o PT e tudo de verdadeiramente
revolucionário foi construído no país nos últimos doze anos em uma
espécie de geni da política. É tanto mais surpreedente porque seria
compreensível se essa recusa ao petismo fosse em proveito de algo mais radicalmente
progressista e até buscasse aproximação com a extrema esquerda (com todas as
ambiguidades e contradições que ela sempre teve). No entanto, não. São
atraídos para o pólo reacionário do espectro político. As
heloísashelenas da vida fecham acordo com o PSDB pelo mero prazer
ressentido da vingança contra o PT. O marinismo - que é, sim, um terceiro
projeto, na medida em que reencarna a soma do neoliberalismo com o
personalismo na política - abraça o neoliberalismo por um lado, e o
obscurantismo religioso, por outro. Aí, muitos militantes dos novos
movimentos aderem a uma ou outra coisa desse matiz.
Qual o sentido de
abandonar conquistas progressistas, certamente conquistas tímidas em
alguns campos, questionáveis em outros, mas ainda assim conquistas como
nunca antes havia sido possível sequer imaginar?
Politicamente, pensei
que eu iria me sentir velho ficando mais velho; me pego, surpreso, sentindo-me mais novo observando os mais novos agindo como velhos...
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