"A guilhotina é a síntese de toda a lei; seu nome é vingança; não é absolutamente neutra, e não permite que se continue neutro. Quem a vê se amedronta com o mais misterioso dos medos. Todas as questões sociais levantam pontos de interrogação ao redor desse cutelo. O patíbulo é visão. O patíbulo não é simples armação de madeira, não é máquina: o patíbulo não é engenho inanimado feito de madeira, ferro e cordas. Parece um ser que possui não sei que iniciativa sombria; dir-se-ia que essa armação vê, que essa máquina entende, que esse mecanismo compreende, que essa madeira, esses ferros, essas cordas têm vontade própria. No pesadelo amedrontador em que lança a alma, o cadafalso se mostra terrível, confundindo-se com sua tarefa. O patíbulo é o cúmplice do carrasco; devora, alimenta-se da carne, sacia-se com sangue. É uma espécie de monstro fabricado pelo juiz e pelo carpinteiro, um espectro que parece viver uma vida feita de todas as mortes que ocasiona."
Sobre o espírito crítico:
"O denunciador das épocas de prosperidade é o único com direito a fazer justiça quando se der a queda" (p. 95 da edição Cosac & Naify).
"Diga-se de passagem, não há nada mais odioso que o sucesso. Sua quase semelhança com o merecimento engana muito os homens. Para a multidão, êxito é o mesmo que superioridade. O sucesso, sósia do talento, infelizmente tem um ingênuo que nele crê facilmente: a história."
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