No
mercado fonográfico, o que resta do antigo sistema/modelo de negócios
da indústria cultural do século XX equilibra-se sobre a venda de CDs
reciclados ou relançados, a preços módicos; numa ponta. Na outra, mantém
intacto o jabá, velho de guerra, em rádios
e televisões.
Como o que está sendo reciclado/relançado é que traz o
menor custo possível, tendemos a ver, nas rádios e TVs, conforme o
segmento/nicho de cada uma, a repetição do que já foi sucesso nas
décadas anteriores. Daí que, quando ouvimos rádio no Brasil, ouvimos todos os dias, no segmento da tal MPB, quase invariavelmente Caetano
Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. O resto, gravita em torno.
O
Caetano é o mais arrogante, porque mantém o mesmo sistema de
cooptação que construiu ao longo das décadas de 1980 e 1990: investe
para estar sempre ao lado dos "novos talentos".
Daí que, até mesmo falar
em "gosto", "qualidade", é complicado. Tendemos, pela repetição, a
memorizar as antigas e as novas canções (as belas e as que nem são tanto
assim). O desejo da autonomia do bom-gosto foi para o ralo no crepúsculo
da indústria cultural. Infelizmente.
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