domingo, 1 de setembro de 2013

Crepúsculo da autonomia do "gosto pessoal"

No mercado fonográfico, o que resta do antigo sistema/modelo de negócios da indústria cultural do século XX equilibra-se sobre a venda de CDs reciclados ou relançados, a preços módicos; numa ponta. Na outra, mantém intacto o jabá, velho de guerra, em rádios e televisões.
 
 Como o que está sendo reciclado/relançado é que traz o menor custo possível, tendemos a ver, nas rádios e TVs, conforme o segmento/nicho de cada uma, a repetição do que já foi sucesso nas décadas anteriores. Daí que, quando ouvimos rádio no Brasil, ouvimos todos os dias, no segmento da tal MPB, quase invariavelmente Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. O resto, gravita em torno.
 
O Caetano é o mais arrogante, porque mantém o mesmo sistema de cooptação que construiu ao longo das décadas de 1980 e 1990: investe para estar sempre ao lado dos "novos talentos".
 
Daí que, até mesmo falar em "gosto", "qualidade", é complicado. Tendemos, pela repetição, a memorizar as antigas e as novas canções (as belas e as que nem são tanto assim). O desejo da autonomia do bom-gosto foi para o ralo no crepúsculo da indústria cultural. Infelizmente.

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