domingo, 18 de agosto de 2013

Hannah Arendt - The Movie e o Acinte Intelectual


Há pouco vi o imperdível filme sobre Hannah Arendt. É bom. Tem os méritos todos apontados nas resenhas que li até o momento. Nestes tempos em que o máximo do pensamento sofisticado parece ser o pierrelevismo militante, fazer um filme sobre uma filósofa já é um feito e tanto. Mais ainda, um filme que aborda um tema atualíssimo, quase o único relevante (em termos de singularidade) sobre os sentidos do nazi-fascismo: a superfluidade do ser humano. Mas isso é para quem vá ver o filme. Que não é hollywoodiano e, portanto, não tem "final". Bem, até aqui, os elogios.
 
Mas há um elemento intolerável, praticamente um acinte intelectual. O filme concentra-se em um trecho do livro sobre o julgamento de Eichman, em que Arendt argumenta que o número de vítimas do nazismo jamais alcançaria os cerca de 6 milhões de pessoas sem que tivesse havido colaboração de lideranças judias. Faz todo o sentido, claro. Só que o filme insinua, mais de uma vez, que ela teria chegado a esse raciocínio também em razão de seu ressentimento contra Martin Heidegger, com quem ela teve um romance. A  decepção com o colaboracionismo de Heidegger teria contribuído decisivamente na elaboração de sua forma única de apreciar o julgamento de Eichman. Um absurdo, em minha opinião.
 
Além disso, o filme retrata um Hans Jonas excessivamente passional em relação às conclusões de Arendt, totalmente incompatível com quem escreveu O Princípio Responsabilidade. Nada disso está aqui para falar mal do filme, que deve ser visto por qualquer um que tenha apreço por seus neurônios.

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