Há alguns dias, uma moça foi agredida em um bar, próximo à UFMG. Segundo os relatos, ela dançava, ou algo assim, no meio do bar. E estaria sem roupa. Um rapaz se aproxima, lança uma cantada qualquer e é repelido. Indignado (!), o sujeito parte para cima da mulher, agredindo-a fisicamente.
De lá para cá, ouvi e li "avaliações" inacreditáveis sobre o fato. Em uma delas, o sujeito alega coisas como "a moça precisa dar-se o respeito", ou "quem faz isso, tem que contar com a 'reação'", "aquele antro [o bar] não é lugar para moças de família", "mulher sem blusa num lugar daqueles, só se for prostituta" e por aí vai. Cada uma pior do que a outra.
De lá para cá, ouvi e li "avaliações" inacreditáveis sobre o fato. Em uma delas, o sujeito alega coisas como "a moça precisa dar-se o respeito", ou "quem faz isso, tem que contar com a 'reação'", "aquele antro [o bar] não é lugar para moças de família", "mulher sem blusa num lugar daqueles, só se for prostituta" e por aí vai. Cada uma pior do que a outra.
Fiquei pensando duas coisas: uma, o TOTAL e completo desconhecimento sobre o que é um direito em um estado democrático de direito. Um direito não é uma coisa que faz parte de uma balança moral, ou uma conta de soma zero. Direitos são absolutos, valem em si e por si. Eu tenho direito à minha integridade física. Ponto. Parágrafo. Ele não é anuluado ou relativizado por NADA, nem NINGUÉM. Por nada que eu faça nem pela vontade de quem quer que seja. Nem o PM pode torturar ou surrar manifestantes nem nenhuma pessoa pode querer atrelar-se fisicamente à uma outra (por amizade, por afeto, por amor, sexualmente etc.) se a outra não quer. Como pessoas que conquistaram posições acadêmicas, títulos acadêmicos e usam o raciocínio lógico para viver não conseguem articular esse raciocínio básico?
A outra coisa é sobre a acusação, moralista claro, de que a moça é ou estava com o comportamento de uma prostituta. Vamos, apenas para efeito analítico (e só!) supor que isso fosse verdadeiro. Bem, prostitutas prestam serviços sexuais mediante pagamento. E não tem NENHUMA obrigação de atender clientes indesejados. Onde consta que o agressor ofereceu pagamento? (lembre-se, estou fazendo um exercício analítico). Porque, se concordarmos com o raciocínio que acusa a moça de comportar-se como prostituta, isso implicaria na obrigação do agressor em (a) perguntar quanto era; (b) ao receber uma negativa, fosse sobre o preço fosse sobre a falta de desejo da moça, enfiar o ínfimo orgulho que lhe restava na própria insignificância moral e...e pronto, mais nada, só isso.
Querer culpar a vítima, como pode?
Encontrar professores da UFMG dispostos a endossar isso, como se fosse a coisa mais natural do mundo, como pode?
E o cara ainda está tentando transformar isso em um problema relacionado a machismo/feminismo. Sequer vou entrar no mérito disso. Antes de qualquer coisa e, principalmente, antes da opinião dele, vem o direito da moça - qualquer uma - em ter sua integridade física preservada. De qualquer jeito, em qualquer situação. NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ PENSA, PROFESSOR. É ASSIM. VIVA COM ISSO.
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