quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ainda a propósito da Polêmica ForadoEixo

O século XXI, as redes e etc. têm sido curiosos. É engraçado como os que se pretendem contrários no final ficam muito parecidos! Pensemos em como age Veja, por exemplo. Ela contratou aqueles dois, o Azevedo e o Augusto Nunes. Paga-lhes regiamente para que produzam absurdos em volume tsunâmico. No fundo, importa menos o que eles escrevem (importa também, mas de outro jeito) do que o gigantismo do volume de asneiras. E isto porque o mero fato de pararmos para tentar respondê-las nos imobiliza, rouba de nós o tempo precioso, necessário para avançar em coisas muito mais relevantes. Podia chamar isso de método ou estratégia de atacado político-midiático.

Agora, o texto aqui linkado. Sua autora é uma professora que defende o tal do Fora do Eixo com nariz, unhas e dentes. Até aí, tudo bem. Direito dela. O problema é que ela resolveu adotar o mesmo método do atacado político-midiático vejista. Seu texto é um arranjo de adjetivos completamente irreferenciados. E são muitos! Ela parece achar que repetir incessantemente "pós-fordista" funciona por si só, como uma palavra mágica, um abracadabra conceitual. Como é mágico, fica desnecessário explicar.
Ela repete a ideia, marxista antes de qualquer coisa, de que o capitalismo gera suas próprias contradições e que serão elas o que o farão sucumbir em última instância, como se se tratasse da descoberta mais vanguardista da teoria social do século XXI. Cita - cita nada, estou sendo gentil - usa pedaços do "Post-Scriptum Sobre as Sociedades de Controle", do Deleuze, como se fossem criação dela ("...pois as novas lutas são em FLUXO, são modulações, não são MOLDES PRE-FABRICADOS...). Quer dizer, não faltou apenas o acento em pré-fabricados, faltou compostura, já que não citou a fonte.
No fim, fiquei com impressão de que o gosto da autora pela expressão "precariado cognitivo" não passa de auto referência. Alice, quando defronte ao espelho, foi muito mais esperta. Ao invés de ficar admirando-se, passou através dele e foi lá ver o que havia a encontrar. Ela tinha treze anos. Há quem tenha muito mais e continue ali, parada em frente ao espelho.
 

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