Ainda a propósito da Polêmica ForadoEixo
O
século XXI, as redes e etc. têm sido curiosos. É engraçado como os que
se pretendem contrários no final ficam muito parecidos! Pensemos em como
age Veja, por exemplo. Ela contratou aqueles dois, o Azevedo e o
Augusto Nunes. Paga-lhes regiamente para que produzam absurdos em volume tsunâmico. No fundo, importa menos o que eles escrevem (importa também,
mas de outro jeito) do que o gigantismo do volume de asneiras. E isto porque o mero fato de pararmos para tentar respondê-las nos
imobiliza, rouba de nós o tempo precioso, necessário para avançar em coisas muito mais
relevantes. Podia chamar isso de método ou estratégia de atacado político-midiático.
Agora, o texto aqui linkado. Sua autora é uma professora que defende o tal do Fora do Eixo com nariz, unhas
e dentes. Até aí, tudo bem. Direito dela. O
problema é que ela resolveu adotar o mesmo método do atacado político-midiático vejista. Seu texto é um arranjo de adjetivos completamente irreferenciados. E são muitos! Ela parece
achar que repetir incessantemente "pós-fordista" funciona por si só, como uma palavra
mágica, um abracadabra conceitual. Como é mágico, fica desnecessário
explicar.
Ela repete a ideia, marxista antes de qualquer coisa, de que o
capitalismo gera suas próprias contradições e que serão elas o que o
farão sucumbir em última instância, como se se tratasse da descoberta
mais vanguardista da teoria social do século XXI. Cita - cita nada,
estou sendo gentil - usa pedaços do "Post-Scriptum Sobre as Sociedades de
Controle", do Deleuze, como se fossem criação dela ("...pois as novas
lutas são em FLUXO, são modulações, não são MOLDES PRE-FABRICADOS...).
Quer dizer, não faltou apenas o acento em pré-fabricados, faltou
compostura, já que não citou a fonte.
No fim, fiquei com impressão de
que o gosto da autora pela expressão "precariado cognitivo" não passa de auto referência. Alice, quando defronte ao espelho, foi muito
mais esperta. Ao invés de ficar admirando-se, passou através dele e foi
lá ver o que havia a encontrar. Ela tinha treze anos. Há quem tenha
muito mais e continue ali, parada em frente ao espelho.
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