Anos atrás, em uma aula, mencionei que a Google havia investido fortemente em uma empresa chamada 23andMe, especializada em fornecer perfis genéticos individuais. Primeiro, você envia uma amostra de seu DNA - tal como no CSI, um esfregaço de cotonete no interior da boca já serve - a empresa sequencia sua amostra, coloca on line; periodicamente, lhe remete boletins para lhe manter atualizado sobre as mais recentes tendências biotecnológicas a respeito do que você, supostamente, "é de verdade".
Preocupava-me que a Google estivesse se voltando para algo do tipo "conhecer mais ainda a fundo o usuário de uma conta-google, para além dos clicks em blogs, postagens no Facebook ou as redes wi-fi em que ele se conecta". De fato, era possível imaginar que, em algum momento no futuro, a conta-google será extrapolada, adicionando os serviços - hoje, ainda pagos - oferecidos pela 23andMe.
Esta semana, o braço genético da Google requereu uma patente que sugere fortemente a ideia do "design de bebês". Como resumiu o BioEdge, trata-se de um
"predictive genetics software. By using its Family Traits Inheritor Calculator, clients will be able to estimate the probability of having a child with certain genetic traits."
Há algumas semanas, publiquei uma coluna no BHdaMeninada, chamada "O Valor da Família: uma abordagem tecnocientífica". E eis que a 23andMe quererá distribuir um software que diz que faz, geneticamente, algo muito parecido.
Meu texto era uma ironia.
O software da Google/23andMe é bem a sério.
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