A entrevista concedida por Bruno Torturra, da
Mídia Ninja e Pablo Capilé, do coletivo Fora do Eixo (FdE) ensejou
enorme onda de controvérsias. O núcleo das críticas acabou
turbinado por depoimentos de duas pessoas que estiveram ligadas ao
FdE nos últimos meses. Muitas outras críticas circulavam pela rede,
mas a exposição propiciada pelo Roda Viva colocou o FdE “na
roda”. E de uma maneira que o coletivo jamais teria imaginado.
Relevantes, os depoimentos de Beatriz
Seigner e Laís
Bellini
revelaram um tipo de vínculo entre os membros do coletivo que o
aproximou da imagem de um grupo messiânico em vez da de um coletivo
democrático e horizontalizado. No entanto, por sua própria natureza
pessoa, os relatos abrangem somente pequena parte do problema. Eles
não lidaram – nem era essa a intenção - com os elementos
estruturais. E somente considerando o contexto político que
propiciou o surgimento, e principalmente o crescimento do FdE, é que
o quadro mais complexo torna-se inteligível.
Não por acaso, o início da trajetória do grupo
coincide: (a) com os anos iniciais do governo Lula, (b) com a
expansão do acesso à internet (c) e com o fenômeno das redes
sociais. Embora o FdE, na figura de seu porta-voz, mostre
reiteradamente sua preferência em ser tido como um produto reticular (eles são “digitais” enquanto todo o
resto é passado e é “analógico”), a vitalidade do FdE
decorreu, inequivocamente, da maneira pela qual os governos Lula
retomaram as políticas públicas de cultura. Jamais de seu caráter inovador ou singular, ou da capacidade do FdE em compreender, antes dos demais, as transformações estruturais provocadas pela disseminação da internet.
Nossa proposta nesta série de posts é a discussão de alguns
aspectos desse emaranhado. Em nome da clareza, trataremos o assunto em tópicos. Como é uma separação meramente
analítica, poderá ocorrer repetição ou sobreposição de
raciocínios.
O primeiro post abordará as políticas públicas de cultura do Governo Lula. Em seguida, em outro post, a acusação
de que o FdE lida com vários CNPJs, logo após, os vínculos
entre o FdE, a Rede Globo e a Veja; finalmente, uma abordagem
da reinvenção da história pessoal do líder do coletivo.
Pelo menos uma conclusão é possível
antecipar: nenhum dos principais envolvidos colaborou com o debate e com o desenvolvimento de
políticas públicas de cultura efetivamente dignas do qualificativo
“públicas”.
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