sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O FdE em partes


A entrevista concedida por Bruno Torturra, da Mídia Ninja e Pablo Capilé, do coletivo Fora do Eixo (FdE) ensejou enorme onda de controvérsias. O núcleo das críticas acabou turbinado por depoimentos de duas pessoas que estiveram ligadas ao FdE nos últimos meses. Muitas outras críticas circulavam pela rede, mas a exposição propiciada pelo Roda Viva colocou o FdE “na roda”. E de uma maneira que o coletivo jamais teria imaginado.

Relevantes, os depoimentos de Beatriz Seigner e Laís Bellini revelaram um tipo de vínculo entre os membros do coletivo que o aproximou da imagem de um grupo messiânico em vez da de um coletivo democrático e horizontalizado. No entanto, por sua própria natureza pessoa, os relatos abrangem somente pequena parte do problema. Eles não lidaram – nem era essa a intenção - com os elementos estruturais. E somente considerando o contexto político que propiciou o surgimento, e principalmente o crescimento do FdE, é que o quadro mais complexo torna-se inteligível.

Não por acaso, o início da trajetória do grupo coincide: (a) com os anos iniciais do governo Lula, (b) com a expansão do acesso à internet (c) e com o fenômeno das redes sociais. Embora o FdE, na figura de seu porta-voz, mostre reiteradamente sua preferência em ser tido como um produto reticular (eles são “digitais” enquanto todo o resto é passado e é “analógico”), a vitalidade do FdE decorreu, inequivocamente, da maneira pela qual os governos Lula retomaram as políticas públicas de cultura. Jamais de seu caráter inovador ou singular, ou da capacidade do FdE em compreender, antes dos demais, as transformações estruturais provocadas pela disseminação da internet.

Nossa proposta nesta série de posts é a discussão de alguns aspectos desse emaranhado. Em nome da clareza, trataremos o assunto em tópicos. Como é uma separação meramente analítica, poderá ocorrer repetição ou sobreposição de raciocínios.
 O primeiro post abordará as políticas públicas de cultura do Governo Lula. Em seguida, em outro post, a acusação de que o FdE lida com vários CNPJs, logo após, os vínculos entre o FdE, a Rede Globo e a Veja; finalmente, uma abordagem da reinvenção da história pessoal do líder do coletivo.
Pelo menos uma conclusão é possível antecipar: nenhum dos principais envolvidos colaborou com o debate e com o desenvolvimento de políticas públicas de cultura efetivamente dignas do qualificativo “públicas”.

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