sexta-feira, 24 de junho de 2016

A Humana Conditio segundo Norbert Elias e o Brexit

Faz pouco, terminei a leitura de um livro pouco conhecido do Norbert Elias, escrito a propósito da celebração dos quarenta anos do fim da Segunda Guerra Mundial: "Humana Conditio: consideraciones en torno a la evolucion de la humanidad".
 
Segundo ele, o recurso às guerras está inscrito quase indelevelmente na história da humanidade. Elias faz um apanhado histórico desse tipo de conflito orientado pelo desejo de hegemonia de um Estado sobre os demais e que não é o caso, aqui, de retomar. Sua intenção era a demonstração do quão arraigado está esse tipo de impulso à guerra na história da humanidade (e não se trata de uma hipérbole). De uma maneira tal que, mesmo a lembrança de todos os horrores perpetrados durante a Segunda Guerra talvez não fossem, per se, suficientes para impedir que os Estados viessem a se engajar em outro conflito de enormes proporções.
 
Naquele momento, vigia a dinâmica da Guerra Fria. Ruiria brevemente, e o modo como isso se deu não foi inteiramente previsto por Elias. Mas não é o que tenho interesse em demarcar aqui, ou seja, não o que ou onde ele errou mas, sim, o que ele percebia com tendência histórica naquele momento e que ainda é importante relembrar, exatamente porque não perdeu sentido.
 
Para ele, o espaço europeu estava repleto de Estados que teimam em valorizar seu passado glorioso. Haveria uma nostalgia latente, saudades da grandeza perdida, que não tinha sido abandonada no limbo esfumado dos séculos. Nenhum podia, sozinho, superar o poderio das grandes potências – EUA e URSS. Ainda assim, a memória histórica coletiva de superioridades que se manifestavam na tendência de os Estados tentarem dominarem-se uns aos outros por meio das guerras, funcionava como uma sombra permanentemente projetada sobre o espaço comum europeu. O medo da aniquilação ou, no mínimo, de uma dramática diminuição das condições de habitabilidade da Terra, que adviria de uma hipotética 3a Guerra travada com as novas armas (então, as armas nucleares) não demonstrara capacidade, por si só, de evitar a irrupção do conflito.
 
Ao fim do ensaio, Elias lança-se, então, a comentar a situação das duas Alemanhas, a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática da Alemanha (RDA). Segundo ele, embora permanecesse a divisão ideológica orientava a cisão, era de suma importância perceber que estava em curso, na RDA, a elaboração de uma espécie de consciência de “tradição de humanidade”. Elias afirmava que
no será ciertamente un obstáculo para semejante acercamiento que la República Federal haga lo mismo que ha hecho hace tiempo la República Democrática: considerarse a sí misma un Estado alemán con su cultura y su tradición propias y al mismo tiempo con la antigua tradición común alemana. Entonces quizá se comprendería mejor la importancia que tiene en semejante Estado el desarrollo de una cultura propia, el cultivo de la creatividad individual y, como he dicho, de la humanidad, así como, entre otras cosas, el desarrollo de actitudes más amistosas hacia otros grupos diferentes en el propio país y en otros países.
Elias acreditava em um futuro no qual a tendência histórica para a superação de conflitos que pareçam irremediáveis senão com o recurso às guerras, pudesse ser substituída pelo fortalecimento, então na RFA, de uma
 
convicción: he aquí un nuevo Estado alemán, un estado más humano, cuyos miembros están capacitados para establecer un vínculo de unión con el espíritu de grupo de los Estados europeos. Si esta convicción se fortalece y con ella el sentimiento de la propia capacidad de progreso, no sólo en terreno económico, sino también en todos los demás sectores de la convivencia humana, será más fácil, a mi juicio, que las nuevas generaciones de la República Federal, cuando contesten en el extranjero a preguntas sobre Hitler, puedan decir con cierta serenidad: “¿Hitler?. Sí, es cierto, sucedió una vez. Pero ahora somos diferentes.”
 
Com todos os defeitos possíveis apontáveis sobre a União Europeia – o fato de que se acreditou demasiadamente no efeito unificador e pacificador apenas, ou principalmente, a partir da unificação econômica – o que a aprovação do Brexit mostrou, hoje, foi a derrota – temporária, espero – dessa esperança em uma experiência de humanidade.
 
O nacionalismo xenófobo de direita (e, não nos enganemos, há nacionalismo tosco e xenófobo em vários grupos de esquerda) continua a querer substituir o ideal humanista por um embolorado orgulho baseado na crença em superioridades natas, sejam elas de natureza biológica ou histórica.
 
O ovo fascista já saiu da cloaca da serpente. Se permitiremos que venha a eclodir novamente, passou a ser o nosso problema.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Do Drone ao Impeachment


O que segue talvez coubesse melhor em um artigo acadêmico. Mas fiquei especialmente atordoado e, desta maneira, o sentido de urgência substituiu o princípio da prudência.
Estou lendo o livro A Teoria do Drone. Trata-se, em resumo, de compreender, sob uma perspectiva humanista, as implicações do uso do drone como arma e seus diversos desdobramentos.
A certa altura do texto, o autor trata de como alguns filósofos morais batalham pela redefinição, ou manutenção dos princípios da guerra justa. O cerne do capítulo em questão é demonstrar de que maneiras o drone armado seria mais “humanitário” do que as armas precedentes. Não retomarei o debate que está no livro. Todavia, ele cita Bradley Strawser como um filósofo proeminente nesse campo. Alguém empenhado em demonstrar a superioridade moral do uso dos drones. Li o nome e me inquietei. Já havia visto em algum lugar. Corri a um texto meu que foi publicado ano passado – sobre filosofia das tecnociências – e lá estava o nome. Strawser esteve no mesmo colóquio sobre filosofia da tecnologia em que eu estive, em 2010, na cidade de Buenos Aires.
Ele apresentou um trabalho breve sobre como são os debates para a conversão (e também a criação) de regras morais em algoritmos que equipam os carros autômatos autônomos que a Google testa na Califórnia.
Pouco tempo depois, ficamos sabendo do envolvimento direto da Google (hoje Alphabet) na indústria bélica, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de robots de campo de batalha.
Naquele momento, o paper de Strawser chamou-me a atenção pelas potenciais implicações dissemináveis desde o veículo urbano autônomo para os diversos dispositivos militares. Enterrados que estamos todos pelo volume imenso de textos e trabalhos acadêmicos, não me interessei por pesquisar melhor as publicações do autor.
Hoje, atônito, descubro que, na verdade, o percurso era o inverso. Não que seja novidade que tecnologias militares sejam mais tarde adotadas no nosso cotidiano. Mas me surpreendeu que ali, ao meu lado (lembro de ter trocado algumas palavras com o autor do paper e de ter feito algumas perguntas ao final da apresentação), estivesse alguém que faz parte do corpo ativo de propaganda e convencimento político, filosófico e acadêmico destinado a nos impedir, a todos, que percebamos a verdadeira amplitude da transformação tecnopolítica a que estamos todos submetidos, de uma forma ou de outra.
Entre o uso de um aparelho Apple, que violenta substancialmente (em troca da facilidade e da rapidez do uso) nossa autonomia de usuários e o uso dos aparelhos “livres” da Google, que nos transforma em produtores incessantes de informação bruta (em troca de facilidades e instantaneidades) o fato é que no campo das novas tecnologias não há margem. Ninguém está à margem. Tanto a resistência individual – do tipo da desobediência civil ao modo de Thoreau – como a resistência coletiva – do tipo que aprendemos com as greves e similares no decorrer dos últimos duzentos anos – inexistem porque fomos subtraídos, e voluntariamente, a todas elas.
E a mobilização incessante de todos os sentidos para que a desatenção não seja o que nos fragilize ou impeça a capacidade de resistência tem sido exatamente ela que nos impede de prosseguir resistindo eficazmente. Todos dizemos que a revista Veja é um veículo de imprensa zumbi, morto-vivo semanal. Muitos dizem que ela é assim porque foi incapaz de adaptar-se “aos novos tempos”. Em parte, isto é correto. Porém, ao converter-se em foco originário incessante de inverdades e distorções, ela debilita nossa capacidade de produzir resistência, na medida em que nos obriga mais a reagir do que a agir.
Do drone arma de guerra ao impeachment, não há de fato tanta diferença. E isto é desesperador.
PS: este é um texto cru, escrito de primeira, sem correções, sob o impacto da "descoberta" de que dialoguei com Bradley Strawser. Permito-me o direito de ir adicionando ou corrigindo, nele, algumas coisas, no futuro.

sábado, 29 de agosto de 2015

Lua Cheia


Às primeiras páginas do belíssimo Far From the Tree: parents, children and the search for identity, Andrew Solomon reflete sobre a ambiguidade entre o modo como somos filhos de nossos pais e o modo como somos pais de nossos filhos. Segundo ele, nosso orgulho em diferenciar-se de nossos pais contrasta com a nossa tristeza ao perceber o quão diferentes de nós vão ficando os nossos filhos.
Involuntariamente ou não, impomos nossa visão de mundo aos nossos filhos. Às vezes, podemos chamar isso de educação; os filhos, em outros casos, preferem chamar de tirania paterna. Às vezes, isso chega a extremos, com os pais que forjam mentalmente todo o futuro dos seus filhos. Projetando neles os seus ideais de vida, esse tipo de pai restringe, quando não elimina, as possibilidades de escolha de seus filhos. Quando é assim, todo o cotidiano dos filhos é ocupado pelos anseios paternos.
No meu primeiro emprego, aos treze anos, conheci um pai assim. Para ele, seu filho estava predestinado a ser um craque de futebol. Diariamente, os companheiros de trabalho eram atualizados sobre o andamento do projeto. Jamais soube como o projeto foi concluído, mas sempre que me lembro disso sinto um dó enorme daquela criança.
Eu, um dos melhores pernas-de-pau do circuito de arenas de terra batida do meu bairro, estranhava o cultivo daquela habilidade. Porque nasci tão esplendidamente bom em ser ruim de bola, aprender a jogar era uma ideia exótica. Nunca quis ser um bom jogador, e poucas vezes me senti mal por isso.
Não obstante, perto de seus sete anos, matriculei o Lucas em uma escolinha de futebol. Durou pouco. Em uma das manhãs, quando fui buscá-lo, encontrei-o cabisbaixo. Herdeiro da inabilidade paterna no domínio da bola, passou quase todo o tempo da aula sentado, colocado “na reserva” por seu professor.
Reclamei, claro. Sem sucesso, óbvio. Porque o que dava sentido àquele ambiente era uma competitividade extremada. E o interesse pelo futebol sucumbiu juntamente com o abandono de seu aprendizado. Nem acompanhar a preferência atleticana do pai e do avô lhe pareceu razoável. Primeiro, dizia que não torcia para time nenhum. Adolescente, em uma escolha de política familiar e acadêmica, decidiu ser americano. E, vejam a gravidade da coisa: em Minas Gerais, ser torcedor do Atlético Mineiro não é uma entre várias opções, é a única. Aqui, a expressão “torcedor atleticano” é um pleonasmo. E eu tenho certeza que aquela primeira “escolhinha” foi determinada lá no ambiente hostil e competitivo da escolinha.
Os pais que treinam, literalmente, seus filhos para serem músicos, jogadores de qualquer coisa, atores, misses etc., são, ou deveriam ser, casos limítrofes. Não vejo problemas quando é própria criança quem manifesta esse tipo de interesse. Todavia, submeter qualquer criança aos delírios de pais obcecados constitui uma violência psíquica inaceitável.
Hoje, esse processo está cada vez mais assustador. Quem tem familiaridade com a sociologia conhece, de Max Weber, a asserção sobre o paradoxo da jaula de ferro da modernidade, a indesejada, mas inafastável, burocratização do mundo da vida. Weber se referia ao Estado moderno. Mas eu já vi gurus da autoajuda empresarial - uma das facetas mais degeneradas desse estilo “literário” - pregarem “a invasão do ambiente familiar pelos valores da empresa”. Outros, defendem ensinar às crianças as categorias da “gestão”, chegando ao rematado absurdo de se prescrever o aprendizado do empreendedorismo (seja lá o que isso for) já nos jardins de infância.
Fique atento, se a jaula de ferro weberiana instalou-se em seu ambiente familiar, talvez tenha chegado o momento em que você, como pai, deva institucionalizar as relações paterno filiais. Conduza-as a um novo patamar: providencie a emissão da Carteira de Trabalho de seu filho; assine-a você mesmo e, para que ele aprenda cedo o “valor do dinheiro”, remunere-o com um salário bem baixo. Para fins morais e pedagógicos, um salário mínimo será suficiente.
Mas, se seu filho teve a sorte de não estar sujeito a este tipo de pai individual ou socialmente frustrado, ainda resta todo o processo de socialização, que é em boa parte coordenado pelos pais. Digo coordenado, porque a criança é uma máquina perceptívora, uma consumidora voraz de percepções, não importa de onde venham. Mentalmente alojadas, lado a lado e sem relevo, só mais tarde acontecerão as valorações, a atribuição dos pesos, a reunião das percepções em categorias homogêneas ou heterogêneas e sua distribuição ao longo de uma cadeia de pertinências, contingências e contradições.
Os pais somos relevantes nesse processo; porém, dificilmente desempenhamos o papel determinante. Porque nossos filhos “nos percebem” incessantemente, não temos como escolher as características que vemos boas em nós, escamoteando aquilo de que nos envergonhamos. Como diz o Salomon, que abriu esta coluna, nós como filhos não apenas nos diferenciamos de nossos pais, como expressamos certo orgulho em ser assim. Nossos exemplos involuntários são percebidos tanto quanto os que oferecemos intencionalmente. E nem todos são bons. Eu acho que falhei no caso do consumo de drogas lícitas: permiti que meu filho me observasse consumindo doses intoxicantes de televisão e doses menos abundantes de álcool.
Há valores que gostaríamos sempre que nossos filhos conservassem. Meu sentimento pessoal, por exemplo, é que o bem-estar de meu filho não tem preço. Que tudo quanto é possível fazer coexiste com a obrigação de ir além. Mas eu gostaria que isso se conservasse nele, já adulto, de um modo um pouco diferente (bem, ele já é quase um adulto - aliás, uma ótima receita para irritar seu filho pós-adolescente é continuar a dizer que ele é adolescente por algum tempo; eu disse irritar? Perdão pelo erro; não é irritante, é pedagógico). Retomando, eu gostaria que a minha predisposição em não medir esforços em benefício de meu filho se manifestasse na personalidade adulta dele na forma de uma pessoa que também não tenha preço, isto é, que não se venda para além do que já nos é exigido em uma sociedade em que todos alugamos nossos corpos a outrem para garantir nossa sobrevivência.
Mas há exemplos menos pretensiosos. Um deles em especial, embora não planejado, persistiu desde a infância até hoje. Notei faz pouco tempo, uns quatro, cinco anos. No começo da noite, Lucas chega em casa e pergunta: viu a lua cheia hoje? E eu que, muito cedo e muito despretensiosamente, sempre o chamava para contemplar as noites de lua cheia, constatei que esse prazer banal, que eu nunca vi como um exemplo a ser dado ou seguido, havia se convertido exatamente nisso.
Saber desligar-se de tudo por breves momentos, apenas para contemplar a lua cheia ou descobrir e ouvir boas músicas (dias atrás, me chamou no Facebook para dizer: “esse tal de Chet Baker é bom demais”) deve ser, imagino eu, um dos melhores exemplos que qualquer um de nós pode deixar, como pai, ou herdar, como filho.
Há, claro, outras coisas tão importantes quanto imponentes: a correção do caráter ou o respeito por todas as formas de alteridade. Mas isso a gente “ensina”, isto é, faz propositadamente. Nisso, concorremos com o resto do mundo e sabemos: nem sempre ganharemos.
Mas nas coisas muito simples, é diferente. É uma banalidade, o ato de contemplar a lua cheia. No universo dos exemplos morais imponentes e pomposos, ele sequer seria listado. Todavia, penso que cultivando esse tipo de hábito pueril, mas significativo, contribuímos para tornar melhores os nossos filhos e o mundo que em breve será deles como herança.

Talvez o futuro me desminta – e não escrevo isso pensando em meu filho – mas eu acredito que pessoas capazes de contemplar hedonisticamente um plenilúnio, dificilmente serão pessoas ruins. Eu creio que o melhor que já deixei a esse mundo, tão hostil, tão inóspito, é o filho que gosta de parar para ver a lua cheia. E ele, muito provavelmente, quererá ensinar isso a seus filhos, se e quando os tiver.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A CULPA É, EXCLUSIVAMENTE, DE DILMA ROUSSEFF

A CULPA É, EXCLUSIVAMENTE, DE DILMA ROUSSEFF

(e a culpa por Rousseff é exclusivamente de Lula - conserta essa m_ _ _a, Lula!)

(1) Já cansei tentar equilibrar a balança das culpas entre um PT desarticulado e a Presidenta neoliberal.

(2) Quer dizer que, para aprovar um ajuste fiscal neoliberal, a Presidenta enfia os seus pudores com a política tradicional no saco, obriga vários parlamentares petistas a votarem contra sua própria história, e usa as velhas medidas clientelistas no Congresso (o mecanismo das emendas parlamentares, nomeações etc.) para "convencer" (leia-se cooptar) o restante da base aliada?

(3) Mas, quando chega a hora de fazer a mesma coisa com temas relevantes da política - reforma política, maioridade penal etc. - a digníssima retorna à sua velha ética classe média tecnocrata e faz a máquina do governo estacar no Congresso?

(4) Me lembro de que, quando da apreciação do financiamento de campanha, escrevi algo como "está faltando governo nesse processo".

(5) Pois é exatamente isso: está faltando essa Senhora honrar algo de esquerda nesse governo. Porque, nesse ritmo, seus pudores pessoais com a governabilidade não passarão de uma outra maneira de consolidar uma agenda conservadora no plano político-social e uma agenda neoliberal no plano político-econômico.

(6) Que o Lula, que criou a tecnocrata-presidenta (porque todo tecnocrata é burrobediente) e abandonou o PT à sanha neoliberal, resolva parte dessa insanidade. Qualquer um com meio neurônio sabe que essas supostas brigas entre ele e a Presidenta que ele indicou não passam de jogo de cena. Pergunte às novas gerações, Lula, quem foi Getúlio Vargas e, quando você notar que a maioria esmagadora já nem sabe quem foi, talvez compreenda que o tipo de mudança que você mais valoriza (e nós também) não resiste muito no tempo. E isso sem contar o fato de que esse tipo de "esquecimento" está vinculado à leniência com a qual os governos petistas têm tratado aspectos relevantes de uma educação de corte progressista.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A má-boa notícia a respeito do comercial d'O Boticário

Sobre a publicidade d'O Boticário, uma má-boa notícia.
 
O Boticário é uma empresa; uma das grandes. Antes de lançar a campanha, é óbvio, encomendou uma pesquisa a fim de qualificar a receptividade ao comercial.

Se o balanço entre lucros e prejuízos (financeiros e de imagem, o tal "valor de marca") pesasse a favor destes, o filmete jamais teria ido ao ar. Até aqui, a parte má da má-boa notícia: a empresa não milita causas sociais, capitaliza causas sociais; e isso é só uma constatação.

A parte boa é que a prospecção revelou um apoio expressivo
a todos os tipos de amor. O que, do ponto de vista d'O Boticário, é conversível em lucro - o que  não é crime.

Resumindo: tudo somado, resulta que o Malafaia pode estrebuchar à vontade...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Modo de Existência dos revoltados digitais (Dilma e os Revoltados Digitais, parte II


O desastrado, para ser gentil, início de segundo mandato de Dilma Rousseff, não conta, é muito óbvio, com muitos simpatizantes. É uma proeza do caráter tecnocrata da presidenta que ela tenha desagradado a praticamente todos nós.

Mas é exatamente daí que sobressai um dos aspectos qualificadores das recentes manifestações dos revoltados digitais: embora quase todos estejamos descontentes de um modo ou de outro, apenas eleitores de Aécio Neves resolveram expressar seu desagrado na forma de pedidos de impeachment, renúncia ou  da excrescência chamada “intervenção constitucional militar”.
As pesquisas realizadas com o público que compareceu às ruas em março e abril de 2015, em Belo Horizonte e em São Paulo, constataram que 81% dos manifestantes haviam sido eleitores do tucano.

Quando lembramos que ambas as manifestações contaram com um apoio indireto inédito da mídia – Globo News e Band News transmitiram ao vivo durante todo o dia dos dois domingos, cobrindo o evento; o sítio UAI, ligado aos Diários Associados, postou, desde as duas sextas-feiras antecedentes, vídeos de Aécio Neves “convocando” a população para comparecer aos atos etc. – fica muito evidente que apenas os descontentes com o resultado das eleições de 2014 entenderam que seu desagrado era suficiente para dar continuidade ao processo eleitoral há pouco encerrado. Se isso não constitui um comportamento autoritário, não constitui mais nada.

Digamos de outro modo: nem todos os eleitores de Aécio Neves saíram às ruas para reivindicar um impeachment sem fundamentos. Porém, 81% (quatro quintos, maioria absoluta) dos manifestantes escolheu o candidato oposicionista nas eleições de 2014. Ora, se todos estamos descontentes com o governo recém empossado mas se apenas os eleitores de quem perdeu o pleito estão dispostos a contestar não os rumos do governo, mas a continuidade do próprio governo, sem provas, sem nada mais do que apenas a própria vontade e desejos políticos, trata-se de um comportamento inequivocamente antidemocrático, típico de quem só reconhece resultados eleitorais que coincidam com seus próprios votos.

Há uma notável descontinuidade entre os dois momentos recentes de manifestações de rua de massa. E não é temporal; é, mais do que qualquer outra coisa, política. São dois tipos muito diferentes de pessoas, aquelas que ocuparam as ruas em 2013 no tempo da Copa das Confederações, e aquelas que o fazem agora.

Como já mencionei no post anterior, que o governo tenha sido tão diligente, em 2013, na cooperação para a repressão policial contra os manifestantes e que os de agora comunguem tão harmoniosamente com as mesmas forças policiais, é outro dos fatos que ajudam a comprovar aquela distinção.

Nas ruas, em 2013, o grosso dos manifestantes jamais colocou em questão a legitimidade do mandato da presidenta. Jamais reivindicou sua deposição. Mesmo os “contra tudo que aí está” imaginavam que algo deveria ser feito por “quem ali estava”.

A pergunta faltante em todas as pesquisas com manifestantes de 2015 seria exatamente aquela que mostraria se quem esteve nas ruas em 2013 estava também agora em 2015. Parece-me que os modos de existência de cada uma das manifestações respondem isso de modo satisfatório. Todavia, um número, uma porcentagem, viria bem a calhar.

Continua...

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dilma e os revoltados digitais (I)


No romance Eugenia Grandet, Balzac afirmou que vivia “numa época em que o tempo falta aos acontecimentos”. A crítica balzaquiana era dirigida à “soberba literatura de Paris” que queria encontrar os dramas “já prontos”. Não sei se esse vaticínio era verdadeiro para o século XIX mas, para o século XXI, ele é definitivo. Nos tempos da internet, da informatividade instantânea, o tempo é subtraído de tudo. A ânsia por explicar, por opinar, aboliu o tempo necessário para a compreensão. Por mais falho que fosse, o ideal da informação como substância primária para a formação dos juízos, e o intervalo de tempo que os separava, fazia com que juízos muito apressados fossem vistos com desconfiança. Às vezes, os sentidos dos acontecimentos são dados por seus desfechos. Saber quando chegam é o problema.
Em 2013, houve uma afluência de pessoas às ruas, manifestando-se de maneira extremamente espontânea durante o período da Copa das Confederações da FIFA. Naquele momento, o acontecimento “sem tempo” foi sucedido por uma batalha intelectual pelos seus significados. Quem ia às ruas? O que queriam? Estavam à esquerda ou à direita do governo? Habituados aos movimentos populares das cartilhas históricas, muitos intérpretes mostravam perplexidade face à indeterminação das pautas ou à falta de lideranças. Houve quem, agora, em 2015, enxergasse uma continuidade entre as manifestações de junho de 2013 e as mais recentes, dos revoltados digitais. Predominou, contudo, a tendência de sequer comparar ambos os momentos políticos.
Em 2013, a reação do Estado e a reação do governo não coincidiram todo o tempo, e isso apenas talvez bastasse para mostrar que tipo de movimento abarrotava as ruas. As estruturas do Estado democrático de direito brasileiro, reagiram como de hábito nos momentos de crise que oferecem risco iminente ao status quo: as polícias, correram à defesa dos patrimônios, sobretudo o patrimônio privado representado pela Copa da FIFA.
Nenhum direito é absoluto no Estado democrático moderno, a afirmação de um sempre delimitando os limites do outro. É assim com o direito à propriedade e com o direito de ir e vir mais os de manifestação e de liberdade de expressão. A equalização e o balanço de todas essas dimensões dos direitos individuais e coletivos é missão das diversas instâncias e instituições do Estado, das polícias ao Poder Judiciário. Na teoria, claro. Na prática, no Brasil, o direito individual à propriedade privada e a defesa dos patrimônios privados antecedem os demais, e as Polícias Militares agem em consonância com essa regra implícita de nosso ordenamento político e social.
De seu lado, o governo, sobretudo o governo federal, demorou a entender que “as ruas” falavam com ele. Mesmo tardia, a articulação das propostas oferecidas com a intenção de arrefecer os ânimos e debelar a crise mostrou que o que estava em questão eram as estruturas arraigadas do funcionamento da sociedade. Estas, em grande parte, permaneceram intocadas, fossem quais fossem as virtudes dos governos petistas. E, pior ainda, pareceram ser como que reafirmadas no conjunto de privilégios oferecidos à FIFA para a realização de seus eventos comerciais.
O status quo reagiu como sempre: as inéditas propostas de reforma política, os ousados programas de infraestrutura urbana etc., ficaram no papel face à reação dos partidos políticos e de outras organizações da sociedade civil. Os manifestantes mais renitentes foram, e continuam, sendo perseguidos pelas estruturas do Estado com a conivência do governo.
Talvez, tudo isso já estivesse muito claro em 2013. Mas nunca esteve mais nítido com as manifestações de 2015 e a emergência dos “revoltados digitais”. Pensar a reação do Estado e do governo a estes, é muito instrutivo para compreender tanto 2013 como 2015. É possível distinguir mutuamente tanto o traço autoritário dos revoltados digitais como o progressismo e o apego aos ideais de uma sociedade menos desigual e mais democrática, que levaram às multidões às ruas em 2013.
De fato, nunca foram apenas vinte centavos.
Continua...

domingo, 12 de outubro de 2014

Reeleja o presente e mantenha a fertilidade do futuro. Vote PT, DILMA 13!


O que escrevo a seguir é um pouco para mim mesmo, um pouco para meus amigos que são capazes de compreender um argumento e entrar em uma discussão de espírito desarmado. Por isso, tanto faz que sejam petistas ou tucanos, dilmistas ou aecistas, de esquerda ou direita. Para certas coisas, essa régua ideológica não mede nem divide o mundo.

Se há algo que esses grandes momentos de comoção ou mobilização conseguem revelar é uma parte do caráter profundo das pessoas. Já vi ou li petistas profundamente preocupados com a própria imagem pessoal, utilizando-se da campanha política para “veiculá-la”, a própria imagem, melhor. Do mesmo modo, descobri personalidades obtusas, beirando a idiotia, imbecilóides mesmo – algumas delas portadoras do título acadêmico de doutor – incapazes até de compreender um argumento para começar a discuti-lo. Porque desprovidas da capacidade de empatia social terminam sendo uma lamentável e patética soma de burrice com egoísmo.

Um escritor que conheço há pouco tempo, mas já admiro bastante, disse outro dia que o mundo vai cada vez mais na direção de uma sociedade mais livre, mais tolerante. Segue voltado para, e orientado pelo, progresso social.

Isso fica evidente porque as novas pautas, as novas reivindicações ganham cada vez mais espaço, mais visibilidade e, acima de tudo, legitimidade. É daí que vem o direito às cotas; o direito à renda mínima; o direito à própria sexualidade e ao próprio corpo.


Por outro lado é o mesmo progresso social que faz com que o tipo de posicionamento representado por gente como bolsonaros, fidelix e felicianos torne-se anacrônico. Se dizer que alguma coisa está “à frente do seu tempo” não passa de imbecilidade (apenas porque é impossível), o contrário não é verdadeiro: muita gente ainda quer viver no passado, retroceder a mentalidades superadas. Essas gentes retrógradas ficarão para trás. Mas o sofrimento real que causam, hoje, nos outros é real, muitas vezes indelével, e precisa ser combatido.


Escrevo tudo isso pensando no PT. Se há algo que o PT não é e não tem é a pureza política, uma imaculada história de acertos e só acertos. Não. O somatório de erros é grande, descomunal.


Ao contrário do que pode parecer, os erros não são, por exemplo, aliar-se a tipos como Katia Abreu, ou Fernando Collor, em nome da governabilidade. O erro foi não ter posto essa gente, com tudo de egoísta e interesseiro que ela é e representa, a serviço da reforma política, por exemplo. O PT deveria tê-los colocado em uma posição na qual o futuro deles seria aniquilado exatamente em virtude do egoísmo que lhes permite sobreviver no presente.


O mesmo vale para o modo como o PT lidou com a mídia. Essa avalanche de mentiras, deturpações etc. que agora vitimam o PT testemunham isso. E eu sei, não sou o primeiro a apontar isso. Uma reforma da mídia, sua democratização, é urgente, muitos de nós, muitos mesmo, alertaram aos ministros petistas e à própria Presidenta sobre essa necessidade. É claro, há gente dentro do PT – Paulo Bernardo, José Eduardo Cardozo – que gosta da mídia tal com ela é. Mas são minoria, seja dentro do Partido seja dentre os que são simpatizantes do PT.

A lista poderia aumentar e o modo como os governos petistas não enfrentaram os diversos corporativismos são bons exemplos: desde o corporativismo médico (e não, ressalte-se, os médicos) até o corporativismo jurídico (e não, ressalte-se, os trabalhadores do judiciário) entre outros.

Mas é preciso reconhecer o que colocou o PT nesse lugar em que se encontra agora, em 2014, à beira de conquistar seu quarto mandato presidencial. Com todos os erros, é obrigatório lembrar que ele teve logo de cara, no primeiro turno das eleições, o endosso de 42% do eleitorado. Se o PT não tem mais o melhor projeto progressista (talvez, o do PSOL, ou parte dele, o do PSTU, ou parte dele ou, até mesmo o da Rede, ou parte dele, sejam, em teoria, melhores) foi o projeto petista aquele que conquistou, democraticamente e a despeito de todos os seus erros, o direito de continuar a realização de sua proposta.

Mal comparando, é um pouco como aconteceu no final da ditadura. Naquele momento, a grande perspectiva de avanço social estava com o antigo MDB. O dilema era permanecer na sociedade autoritária, retroceder, ou avançar em direção à democracia possível.

O PT, ali, era “radical”. Queria mais. Mais que democracia, queria o que, em parte, só hoje pode realizar.

Mal ou bem, acho que bem, o tempo reconquista da democracia pertencia ao MDB. Analogamente, hoje é o tempo em que o PT representa a alternativa viável, o PT é, em 2014, o que o MDB era na década de 70 e 80. Hoje, o antagonista do PT é PSDB, eles, os tucanos, com seu projeto de sociedade neoliberal, que já mostrou o que faz e que não têm pudor em dizer que pretendem retomar, são o que a ditadura, a Arena e o PDS de então representavam.

Talvez, chegue o tempo em que o PT fique para trás, não traga mais, não represente mais o espírito do tempo, digamos assim. Só que esse tempo não é agora, não é 2014.
Por tudo isso, eu escrevo e defendo:
Em 26 de outubro, reeleja o presente e mantenha a fertilidade do futuro.
Vote PT, DILMA 13.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Banco Central autônomo marinista

Seguinte, o que segue homenageia quem adora deturpar as coisas: autonomia LEGAL do Banco Central é diferente de autonomia OPERACIONAL.

Marinistas de má-fé - má-fé, porque não assumem as próprias ideias - estão recuperando uma entrevista de Dilma, de 2010, em que ela se diz favorável à autonomia OPERACIONAL do BC. Dizem eles que isso provaria que o programa de governo marinista (aquele que muda ao sabor do vento ou ao ritmo dos tuítes do Malafaia) é igual ao que já fizeram os três governos petistas.

Ora, em primeiro lugar, essa tentativa de igualar a posição marinista à petista é leviana. Isso porque, se as coisas fossem iguais, a Marina não precisaria colocar isso no programa de governo dela como uma coisa a ser feita! É tão óbvio que custa a crer que alguém queira discutir isso.

Em segundo lugar, vejamos um excerto da página 42 do programa de governo marinista (não farei a piada das mudanças de ideias, porque até agora ela só manteve estrita fidelidade ao programa macroeconômico neoliberal):

Assegurar a independência do Banco Central o mais rapidamente possível, de forma institucional, para que ele possa praticar a política monetária necessária ao controle da inflação. Como em todos os países que adotam o regime de metas, haverá regras definidas, acordadas em lei, estabelecendo mandato fixo para o presidente, normas para sua nomeação e a de diretores, regras de destituição de membros da diretoria, dentre outras deliberações.

Bastante claro, não é? Está escrito: "assegurar...de forma institucional". Para quem sabe ler está explícito: a independência, nos termos marinistas, inexiste. E é porque não existe que prometem assegurá-la institucionalmente!

No passado recente, já tivemos órgãos que eram institucionalmente autônomos: herdamos dos governos tucanos as agências reguladoras, do tipo Anac, Anatel ou Anvisa. Apesar de formalmente vinculadas ao poder executivo, eram como entes externos ao modelo da tripartição dos poderes. Funcionavam como órgãos independentes de tudo, com diretores com mandato etc., tal como está pretendido no programa marinista para o BC.
Alguém se recorda do caos? No limite, os diretores das agências reguladoras faziam o que queriam, não respondiam a ninguém, exceto quando havia algum tipo de determinação judicial.

Portanto, vamos parar com distorções, porque o BC marinista destinado a funcionar livre da soberania nacional, pairando acima dela.
Neste caso, nem quando o BC agisse de maneira responsável, nem assim isso seria defensável.
É por princípio, e não por casuísmo, que isso deve ser repelido.

domingo, 7 de setembro de 2014

Lulismo? Não, obrigado; desaprecio inexistências.

Momento saco cheio: lulismo não existe, certo?
Só escreve isso quem entende de política e história o mesmo que eu entendo de mecânica de aeronaves espaciais movidas a dilítio...

O Bóson de Higgs e a Política

A corrupção na política é mais ou menos equivalente ao Bóson de Higgs, a tal partícula-deus: sua existência torna compreensíveis a estabilidade e os modos do funcionamento do sistema como um todo.
Tanto o bóson, no universo, como a corrupção, na política, existem em todos os lugares. Pela sua natureza auto-referente, não é possível propor nem um novo universo nem uma "nova política".
A analogia acaba aqui. Porque as leis que governam o mundo natural são, para nós, inalteráveis. Já a política...

O marinismo e a "Economia para a Dependência Subdesenvolvida Eternamente Sustentável"

Programa de Governo do marinismo: Eixo 2 - "Economia para o Desenvolvimento Sustentável"

1) O título do tópico deveria ser alterado para Economia para a Dependência Subdesenvolvida Eternamente Sustentável
 
2) Há o já comentado item sobre a autonomia institucional do BC.

3) O item 2 do tripé macroeconômico prevê a geração eterna de superavit primário!

3.1) Ele também estipula que os superavits sejam "incorporados à estrutura de operação do setor público"!! Isso quer dizer o seguinte: o Estado é visto como uma empresa, obrigado a gerar "lucro" todos os anos e, claro, à custa do funcionamento do mesmo!

4) Propõem "corrigir os preços administrados". Isso quer dizer o seguinte: aumentar imediatamente o preço do petróleo e, em seguida, deixá-lo flutuar ao sabor do mercado internacional. Deixaria de ser um preço que é, como hoje, administrado política e economicamente, para tornar-se, para voltar a ser, como era na era da tucanidad, uma mercadoria globalizada.

5) O item que mais colloriza o marinismo: "aumentar a competição internacional em todos os setores a fim de forçar a eficiência das empresas brasileiras". Quem se lembra do Collor, lembra que as bravatas da campanha eleitoral contra os marajás eram apenas desculpa para abrir o mercado interno violentamente às transnacionais. Mercado-capitalismo selvagem. Queria entender como se promove "desenvolvimento sustentável" fazendo competir tipos de indústria muito diferentes entre si, sobretudo, tipos podre-de-ricos, como as indústrias oriundas dos países ricos (ou baseadas em exploração de trabalho quase escravo, como as chinesas) com as nossas, ainda em estado incipiente, melhor do que há 30 anos, sem dúvida, mas incipientes do mesmo jeito.

Não tenho dúvida: é um programa extremamente neoliberal, daqueles que dariam orgulho a Ronald Reagan ou Margareth Thatcher. Nem eles foram tão longe.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Marina Silva e O Plágio como Forma de Escrita de Programa de Governo

Estou pensando em fazer uma série intitulada "O Plágio como Forma de Escrita de Programa de Governo".

Maurício Rands, um dos coordenadores da equipe que elaborou o programa, cometeu quase um autoplágio. Este, com ingredientes complicadores. Bem, ele enfiou, na pág. 239 do Programa de Governo, um texto dele. É uma espécie de análise de conjuntura sobre o movimento sindical no Brasil. O problema? O texto foi publicado em...2005!!!!! NOVE ANOS ATRÁS!!

Tudo bem, nem tudo muda sempre...
Nem me detive sobre todo o conteúdo, ainda. Só que, pôxa, como pode elaborar um programa de governo para 2015 com análise de conjuntura de dez anos antes? Nada mudou de lá para cá? O texto fala sobre a "empresa na era da sociedade da tecnologia da informação". Ora, algo que promove mudanças com tanta rapidez e intensidade como as tecnologias da informação não mereceria uma análise mais atualizada?

O programa de governo, você consulta à página 239.
O texto de Rands, neste link http://cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?arecod=18&cl=099105100097100101098114&newcod=917ACX

Outro plágio no Programa de Governo de Marina Silva

Está ficando quase impossível chamar o Programa de Governo de Marina Silva pelo nome. Parece mais uma colcha de retalhos alheios.

(1) A primeira imagem abaixo pertence às págs. 48 e 49 do Programa de Governo de Marina Silva. Preste atenção ao parágrafo que, na pág. 48, começa com a frase "dois problemas na lógica de funcionamento..."; siga lendo até "potencial contribuição à sociedade", na página seguinte.

(2) Na segunda imagem está o artigo "Responsabilizar a pessoa certa", de Alexandre Rands Barros, publicado na Folha de São Paulo, em 08/12/2013 - Confira no link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/142631-responsabilizar-a-pessoa-certa.shtml
Leia do terceiro ao quinto parágrafo do texto da Folha e, em seguida, compare com o do Programa de Governo de Marina Silva.

Eu SEI que um dos coordenadores do Plano de Governo de Marina tem o sobrenome Rands. É um ex-deputado petista. Portanto, dado o possível parentesco, talvez o próprio autor tenha ou cedido ou ele próprio escrito o trecho. Só que não é esse o problema! O problema é que o texto já havia sido publicado antes! Era obrigatório mencionar isso, a autoria e a prévia publicação. Senão, seria, acabou sendo, plágio do mesmo jeito!!! Acabou sendo plágio porque o Programa de Governo é assinado pela candidatura e em nenhum trecho do texto o nome de possíveis autores e/ou colaboradores na elaboração ou redação final é mencionado.

E eu achando que não havia como ficar mais feia a coisa...